Em 1977, Woody Allen levou aos cinemas a história de um casal que se apaixonou e viu o relacionamento acabar com o passar do tempo. Na época, Diane Keaton era Annie Hall e Allen era Alvy Singer, dois adoráveis personagens que fizeram história no cinema. Após vários longas retratarem a complexidade de um caso, (500) Dias com Ela passa na frente e consegue encabeçar a lista dos filmes tão bons quanto Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Comandado pelo diretor de videoclipes Marc Webb e escrito pelos roteiristas de talento duvidoso Scott Neustadter e Michael H. Weber - desculpas a quem gostou de A Pantera Cor-de-Rosa 2 - a comédia romântica é o retrato mais honesto sobre os relacionamentos de hoje em dia em comparações as outras produções do gênero que insistem na aposta dos clichês.
A história é simples. O garoto conhece a garota. O jovem se apaixona e ela não. A partir daí, a trama, em sua uma hora e meia de duração, consegue contar ao máximo quem são os seus personagens e o porque do sofrimento vivido por Tom Hansen. Em uma sequência inicial extremamente bela, o narrador - filmes com narração me conquistam facilmente - explica como a moça se tornou tão fria e quais motivos levaram a Hansen acreditar que ele seria a sua alma gêmea. Mesmo com todas as razões explicadas, o espectador se vê ligado a uma jornada parecida com a de Tom, ele deixa a emoção tomar conta e passa sofrer junto com o rapaz o desastre do relacionamento que o apaixonado criou em sua mente.
Mesmo que já tenho existidos filmes parecidos, como por exemplo o inferior Um Amor Jovem, de 2006, (500) Dias com Ela torna-se um sucesso devido a perfeita sincronia de tudo. A trilha sonora está perfeita, o ritmo é correto, os diálogos estão na medida certa, as atuações estão boas - algo que vou comentar mais a frente - e, é claro, Webb mostra que veio para ficar e já é quisto por estúdios de Hollywood após uma estreia tão expressiva. Para ser mais específico, contarei detalhes importantes sobre o longa, ou seja, quem ainda não viu pare de ler agora. Expectativa e realidade, quando essa cena teve início eu tive certeza que Allen, se ver esta sequência, com certeza iria colocá-la em Annie Hall. Como se não bastasse toda a sensação em primeira pessoa que sentimos ao constatar o sofrimento de Tom, a "expectativa/realidade" consegue de longe ser a melhor parte do filme, o momento mais honesto em que a produção entrega a sua verdade, a decepção, ao espectador.
A produção conta com o sensacional Joseph Gordon-Levitt, que faz um trabalho impecável e promete uma carreira promissora, e Zooey Deschanel, que por sua vez mostra que caiu como um par de luvas para o papel, assim com Keanu Reeves em O Dia em Que Terra Parou, cuja determinante de sua atuação em um alienígena foi a inexpressividade, encarna Summer com a frieza e simpatia que caracterizam a personagem como apaixonável e misteriosa. Sendo assim, como culpar o garoto por se envolver com ela?
Assim como o excelente Encontros e Desencontros, a obra de Webb ganha espaço boca a boca e se torna um dos clássicos atuais, que fogem dos fortes elementos publicitários para contar uma história sobre amor, e não de amor.
(500) Dias com Ela chega aos cinemas em 6 de novembro. O romance também será exibido na Mostra de São Paulo.
Rafael Sandim
Rafael Sandim




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